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Mostrando postagens de maio, 2026

Não dê ouvidos à serpente: a primeira aula sobre poder e manipulação

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A frase “não dê conversa com cobra” pode soar como um conselho simples, quase folclórico, mas carrega uma das lições mais antigas sobre poder e manipulação já registradas. Logo no início da Bíblia, a narrativa do Gênesis apresenta a serpente como símbolo da persuasão estratégica, alguém que não impõe pela força, mas conquista pela palavra. E é justamente aí que mora um dos fundamentos mais duradouros da política: o poder raramente começa com coerção, ele começa com convencimento. Ao observar essa passagem sob a lente da ciência política, é possível traçar paralelos com o pensamento de autores como Maquiavel, que já alertava que o governante eficaz precisa saber agir como “raposa e leão”. A serpente, nesse caso, encarna perfeitamente a raposa: astuta, paciente e habilidosa na arte de influenciar. Ela não obriga, não ameaça diretamente — ela planta uma ideia. E uma ideia, quando bem colocada, pode ser mais poderosa do que qualquer imposição. Essa lógica também aparece nas análises de Mic...

Quando a justiça enxerga demais: poder, parcialidade e as consequências de tirar a venda dos olhos

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A imagem da Justiça de olhos vendados sempre funcionou como uma promessa simbólica de imparcialidade. A venda representa a recusa em distinguir riqueza, poder, status ou influência, assegurando que todos sejam julgados apenas pelos fatos e pelas leis. Quando essa venda é retirada, no entanto, a Justiça deixa de ser apenas um ideal normativo e passa a refletir, com maior nitidez, as assimetrias reais de poder existentes na sociedade. As consequências desse gesto não são apenas jurídicas, mas profundamente políticas. Ao “enxergar”, a Justiça passa a reconhecer quem são os atores em jogo. Isso pode significar, em alguns contextos, sensibilidade social e correção de desigualdades históricas; em outros, abre espaço para seletividade, perseguições e proteção de interesses dominantes. Max Weber já alertava que o direito, longe de ser neutro, opera dentro de uma estrutura de dominação racional-legal, na qual decisões jurídicas tendem a reproduzir a ordem social vigente. Quando a venda cai, es...

Entre a toga e o cachê: o debate sobre limites éticos e poder no Judiciário

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A frase atribuída ao ministro do Supremo Tribunal Federal sobre as restrições à vida profissional de magistrados reacendeu um debate antigo no Brasil: até que ponto a ética judicial impõe sacrifícios pessoais e financeiros, e quando esses limites passam a ser percebidos como privilégios questionáveis? A discussão não é nova, mas ganha contornos mais agudos quando envolve figuras centrais do poder e suas redes familiares, profissionais e simbólicas. A magistratura, por definição, é uma carreira cercada de restrições. Juízes não podem exercer atividade político-partidária, não podem advogar, não podem administrar empresas e, em muitos casos, veem sua vida pública e privada submetida a um escrutínio intenso. A permissão para dar aulas e palestras aparece, historicamente, como uma válvula de escape legítima, associada à ideia de que o saber jurídico acumulado deve circular e contribuir para a formação de novos quadros. Max Weber, ao tratar da ética da responsabilidade, lembrava que ocupar ...

Quando a justiça enxerga demais: poder, parcialidade e as consequências de tirar a venda dos olhos

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A imagem da Justiça de olhos vendados sempre funcionou como uma promessa simbólica de imparcialidade. A venda representa a recusa em distinguir riqueza, poder, status ou influência, assegurando que todos sejam julgados apenas pelos fatos e pelas leis. Quando essa venda é retirada, no entanto, a Justiça deixa de ser apenas um ideal normativo e passa a refletir, com maior nitidez, as assimetrias reais de poder existentes na sociedade. As consequências desse gesto não são apenas jurídicas, mas profundamente políticas. Ao “enxergar”, a Justiça passa a reconhecer quem são os atores em jogo. Isso pode significar, em alguns contextos, sensibilidade social e correção de desigualdades históricas; em outros, abre espaço para seletividade, perseguições e proteção de interesses dominantes. Max Weber já alertava que o direito, longe de ser neutro, opera dentro de uma estrutura de dominação racional-legal, na qual decisões jurídicas tendem a reproduzir a ordem social vigente. Quando a venda cai, ess...

Quando a força dita as regras: o conflito entre a lei do mais forte e a lei ordinária

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Ao longo da história, a tensão entre a força bruta e a norma jurídica tem sido um eixo central da política. A frase "a lei do mais forte é, claramente, mais forte que a lei ordinária" revela uma percepção antiga, mas persistentemente atual: a de que, em determinados contextos, quem detém o poder real – militar, econômico ou simbólico – tem mais influência do que qualquer ordenamento jurídico formal. Essa ideia não é apenas um aforismo cínico, mas uma observação que encontra eco em diversas tradições filosóficas e momentos históricos. Na Grécia Antiga, os sofistas, especialmente Trasímaco em A República de Platão, já defendiam que a justiça nada mais era do que o interesse do mais forte. Para ele, a lei era um instrumento usado pelos poderosos para manter sua supremacia, vestida de legitimidade. Sócrates, por outro lado, tentou desmontar essa visão, insistindo numa ideia de justiça que transcendesse o domínio da força. No entanto, a crítica de Trasímaco nunca perdeu sua rele...