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Não dê ouvidos à serpente: a primeira aula sobre poder e manipulação

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A frase “não dê conversa com cobra” pode soar como um conselho simples, quase folclórico, mas carrega uma das lições mais antigas sobre poder e manipulação já registradas. Logo no início da Bíblia, a narrativa do Gênesis apresenta a serpente como símbolo da persuasão estratégica, alguém que não impõe pela força, mas conquista pela palavra. E é justamente aí que mora um dos fundamentos mais duradouros da política: o poder raramente começa com coerção, ele começa com convencimento. Ao observar essa passagem sob a lente da ciência política, é possível traçar paralelos com o pensamento de autores como Maquiavel, que já alertava que o governante eficaz precisa saber agir como “raposa e leão”. A serpente, nesse caso, encarna perfeitamente a raposa: astuta, paciente e habilidosa na arte de influenciar. Ela não obriga, não ameaça diretamente — ela planta uma ideia. E uma ideia, quando bem colocada, pode ser mais poderosa do que qualquer imposição. Essa lógica também aparece nas análises de Mic...

Os comprometimentos do ato de julgar diante da espetacularização

O ato de julgar, que deveria ser pautado pela imparcialidade e pela presunção de inocência, encontra-se comprometido diante dos impactos da espetacularização. Esse fenômeno, embora não seja novo, ganha uma intensidade cada vez maior na sociedade contemporânea, especialmente com a participação ativa da televisão e dos internautas, que assumem o papel de julgadores e influenciam o desfecho de casos antes mesmo de serem julgados. Nesse contexto, é perceptível que a espetacularização do processo judicial traz consequências negativas para a justiça e para o sistema legal como um todo. Um dos principais comprometimentos é a inversão da presunção de inocência. O acusado, que deveria ser presumido inocente até que se prove sua culpa, é visto como culpado pela opinião pública antes mesmo de qualquer veredicto ser emitido. A exposição midiática sensacionalista e o julgamento prévio realizado por internautas nas redes sociais contribuem para essa distorção, alimentando o linchamento virtual e pre...