Quando a lei não morde os fortes
A frase de Honoré de Balzac — “As leis são teias de aranha por onde passam as moscas grandes e as pequenas ficam presas” — atravessou séculos porque continua descrevendo com precisão desconfortável a relação entre poder e justiça. Não se trata apenas de uma crítica moral ao sistema legal, mas de uma observação política profunda sobre como as leis operam de maneira desigual em sociedades marcadas por hierarquias econômicas, sociais e simbólicas. A lei, que em tese deveria ser um instrumento de equilíbrio, muitas vezes funciona como um filtro seletivo: rígida para alguns, flexível para outros. Na prática política, a aplicação da lei raramente é neutra. Max Weber já alertava que o Estado moderno se sustenta no monopólio legítimo da força, mas esse monopólio não é exercido no vácuo. Ele depende de burocracias, interpretações jurídicas e, sobretudo, de relações de poder. Quando Balzac fala das “moscas grandes”, ele aponta para elites econômicas e políticas que dispõem de recursos — advogado...