O poder não corrompe: ele revela
A velha máxima de que “o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”, atribuída a Lord Acton, ganhou status de verdade universal na análise política ocidental. Mas essa sentença, tão repetida quanto raramente questionada, pode estar apontando para o lugar errado. A ideia de que o poder é o responsável direto pela degeneração moral dos indivíduos parece ignorar um ponto fundamental: o poder não cria monstros — ele os desmascara. O que se vê, quando alguém alcança uma posição de mando, é menos uma transformação e mais uma revelação. Essa leitura alternativa não é nova, embora ainda minoritária. Filósofos como Friedrich Nietzsche já alertavam que o ser humano é, por natureza, um animal de vontade de poder, e que o acesso à autoridade apenas dá forma e espaço ao que já existia latente. O poder, longe de ser uma substância corruptora, é um catalisador. Ele oferece os meios para que traços de caráter, ambições ocultas e inclinações éticas — ou antiéticas — se manifestem com lib...