O inimigo do seu inimigo é seu amigo: a lógica oportunista do poder
Poucas frases resumem tão bem a lógica impiedosa da política real quanto “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Essa máxima, de origem incerta, atravessa os séculos como uma fórmula clássica da diplomacia estratégica e da aliança por conveniência. Mais do que uma simples expressão popular, ela encapsula uma das engrenagens fundamentais da manutenção e conquista do poder: a aliança circunstancial. E, nesse contexto, os princípios cedem espaço à utilidade. Historicamente, esse tipo de lógica foi responsável por reviravoltas políticas improváveis. Um dos exemplos mais emblemáticos é a aliança entre os Estados Unidos e a União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. Até então, eram ideologicamente antagônicos — capitalismo liberal versus comunismo soviético — mas encontraram um ponto comum na derrota da Alemanha nazista. Winston Churchill, célebre por sua sagacidade, resumiu bem a lógica dessa aliança ao afirmar que, se Hitler invadisse o inferno, ele faria pelo menos uma referência f...