Instituições não são muralhas: são reflexos de quem as representa
A ideia de que instituições se sustentam apenas por sua existência formal é uma ilusão confortável — e perigosa. Na prática, nenhuma instituição democrática é imune ao desgaste provocado por seus próprios agentes. Juízes, parlamentares, chefes do Executivo, membros do Ministério Público e até autoridades policiais: todos contribuem, com suas ações e omissões, para o fortalecimento ou o esvaziamento das estruturas que deveriam representar. A força das instituições, portanto, está menos nas leis e mais na conduta de quem atua em seu nome. É comum, especialmente em momentos de crise política ou polarização extrema, ouvir que “as instituições estão funcionando”. Essa frase tornou-se uma espécie de mantra, repetida por comentaristas e autoridades como um selo de normalidade institucional. Mas essa aparência pode ser enganosa. O funcionamento institucional não se resume ao cumprimento ritualístico de normas. Ele exige legitimidade, credibilidade e respeito público — atributos que se constroe...