O diabo está de férias: quando o poder humano supera o mal mitológico

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A provocação “o diabo está de férias, pois o homem está fazendo o trabalho dele” é mais do que uma frase de efeito: é um diagnóstico mordaz sobre o nosso tempo. Essa visão sugere que, em pleno século XXI, não é mais necessário recorrer a entidades sobrenaturais para explicar o mal no mundo. A própria ação humana, guiada por interesses políticos, econômicos e ideológicos, tem se mostrado suficientemente eficiente na produção de barbárie, manipulação e dominação. Essa ideia encontra eco no pensamento de Hannah Arendt, especialmente quando ela descreve a "banalidade do mal". Para Arendt, o mal não se manifesta apenas por meio de figuras monstruosas ou satânicas, mas pode ser perpetuado por indivíduos comuns, burocratas obedientes, que seguem ordens sem refletir sobre suas consequências éticas. Nesse sentido, o mal deixa de ser uma exceção para se tornar um mecanismo cotidiano, sistemático — e, talvez por isso, ainda mais perigoso. Na arena política contemporânea, os exemplos são...

Avaliação da Política de Segurança Alimentar no Brasil


A segurança alimentar é um dos principais desafios enfrentados pela sociedade atualmente, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Recentes dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por organizações nacionais revelaram a preocupante situação do país no que diz respeito à insegurança alimentar.

Segundo o relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo, publicado pela ONU, o número de brasileiros que sofrem com a fome atingiu 10,1 milhões em 2022, representando 4,7% da população. Embora esse número seja menor do que o apresentado pelo 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19, realizado pela Rede Penssan, é importante destacar que ainda existem milhões de pessoas no país que não têm acesso adequado a alimentos.

Globalmente, entre 690 milhões e 783 milhões de pessoas (8,7% a 9,8% da população mundial) enfrentam a fome. Apesar de a fome global ter se estabilizado nos últimos anos, ela persiste em um nível alarmante, afetando milhões de vidas. O aumento dos preços dos alimentos e da energia, bem como conflitos, como a guerra na Ucrânia, dificultaram o progresso no combate à fome.

No Brasil, além da fome, a insegurança alimentar também é uma realidade preocupante. Entre 2020 e 2022, 70,3 milhões de brasileiros (32,8% da população) enfrentaram algum grau de insegurança alimentar, o que significa que eles têm acesso mínimo a alimentos, mas não têm garantias sobre as refeições futuras. Esses números são significativamente maiores do que os registrados entre 2014 e 2016, quando 37,6 milhões de brasileiros viviam em insegurança alimentar.

A insegurança alimentar severa, que é a falta de acesso regular a alimentos em quantidade suficiente, mais que quintuplicou nesse período, afetando 21,1 milhões de brasileiros (21,1% da população). No contexto global, a insegurança alimentar afeta 29,6% da população, o que equivale a 2,4 bilhões de pessoas, sendo que 900 milhões dessas sofrem de insegurança alimentar severa.

Esses dados alarmantes evidenciam a necessidade de uma política de segurança alimentar eficaz no Brasil. É fundamental que o governo adote medidas para garantir o acesso adequado a alimentos para todos os brasileiros, especialmente os mais vulneráveis. Isso inclui a implementação de programas de distribuição de alimentos, subsídios para famílias de baixa renda, incentivos à produção agrícola sustentável e investimentos em educação nutricional.

Além disso, é essencial promover o diálogo entre as diferentes esferas da sociedade, incluindo governos, organizações não-governamentais e setor privado, para desenvolver soluções conjuntas e abordar as causas estruturais da insegurança alimentar.

A política de segurança alimentar no Brasil enfrenta enormes desafios diante dos dados alarmantes de fome e insegurança alimentar. É necessário um compromisso firme e medidas abrangentes para superar essa crise e garantir que todos os brasileiros tenham acesso adequado a alimentos. A segurança alimentar deve ser uma prioridade nacional, com políticas públicas eficazes que promovam a justiça social e a erradicação da fome.



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