Entre a toga e o cachê: o debate sobre limites éticos e poder no Judiciário

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A frase atribuída ao ministro do Supremo Tribunal Federal sobre as restrições à vida profissional de magistrados reacendeu um debate antigo no Brasil: até que ponto a ética judicial impõe sacrifícios pessoais e financeiros, e quando esses limites passam a ser percebidos como privilégios questionáveis? A discussão não é nova, mas ganha contornos mais agudos quando envolve figuras centrais do poder e suas redes familiares, profissionais e simbólicas. A magistratura, por definição, é uma carreira cercada de restrições. Juízes não podem exercer atividade político-partidária, não podem advogar, não podem administrar empresas e, em muitos casos, veem sua vida pública e privada submetida a um escrutínio intenso. A permissão para dar aulas e palestras aparece, historicamente, como uma válvula de escape legítima, associada à ideia de que o saber jurídico acumulado deve circular e contribuir para a formação de novos quadros. Max Weber, ao tratar da ética da responsabilidade, lembrava que ocupar ...

Livro "Personalidade e Poder" de Ian Kershaw: A Influência dos Líderes na História


Assistimos na era moderna ao aparecimento de indivíduos que controlaram um conjunto aterrador de instrumentos de controlo, persuasão e morte. Sociedades inteiras foram reconfiguradas e guerras foram combatidas, muitas vezes no desrespeito cruel pelas regras mais elementares. Na cúpula dessas sociedades estavam líderes cujas personalidades de alguma forma lhes possibilitaram fazer o que quisessem. O novo livro de Ian Kershaw é uma tentativa cativante, lúcida e provocadora de entender esses líderes, quer operassem a nível global (Lenine, Estaline, Hitler, Mussolini), quer tivessem um impacto sobretudo nacional (Tito e Franco). Que tinham estes líderes, e que tempos foram aqueles em que viveram, que lhes permitiu terem um poder irrestrito e mortífero? E o que suscitou o fim dessa era? Num grupo contrastante de personalidades (Churchill, De Gaulle, Adenauer, Gorbatchev, Thatcher e Kohl), Kershaw emprega as suas excepcionais qualidades para reflectir sobre como estas outras figuras tão diferentes chegaram ao poder.

No vasto campo dos estudos históricos, um aspecto fundamental é compreender a relação entre personalidades e o exercício do poder. O livro "Personalidade e Poder", escrito pelo renomado historiador Ian Kershaw, mergulha nessa análise fascinante, examinando as personalidades dos líderes políticos  e o impacto de suas características individuais na história do século XX. 

Ele analisa as dinâmicas de poder, os confrontos e as alianças estabelecidas entre esses líderes e como essas interações moldaram a história.

Além disso, o autor ressalta a importância de compreendermos essas personalidades no contexto dos regimes totalitários que foram estabelecidos. Ele nos mostra como as características individuais desses líderes foram fundamentais para a construção e manutenção desses regimes, bem como para a implementação de políticas autoritárias.

"Personalidade e Poder" é uma leitura essencial para aqueles interessados na história política, psicologia política e nos estudos sobre líderes e regimes totalitários. Ian Kershaw nos proporciona uma análise abrangente e fundamentada, que nos ajuda a compreender melhor as motivações e os fatores individuais que impulsionaram as ações desses líderes e marcaram a história de suas nações.

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