Por que sempre elegemos quem nos alimenta, mesmo quando ele nos leva ao abate

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A frase “se os porcos pudessem votar, o homem com o balde de lavagem seria sempre eleito, não importa quantos porcos ele já tenha abatido no recinto ao lado” funciona como uma metáfora crua, porém eficaz, para compreender dinâmicas recorrentes da política. Ela expõe uma lógica central do poder: a capacidade de garantir a sobrevivência imediata costuma falar mais alto do que a memória da violência estrutural. Quem controla os meios básicos de subsistência frequentemente conquista também a lealdade, mesmo quando é responsável pelo sofrimento que ameaça esse mesmo grupo. Na ciência política, essa dinâmica é amplamente discutida a partir da ideia de dependência. Max Weber, ao analisar as formas de dominação, explicava que o poder se sustenta não apenas pela força, mas pela crença na legitimidade daquele que manda. O “homem do balde” não precisa esconder os abates; basta que seja visto como indispensável. A violência se torna um dado colateral, quase naturalizado, enquanto o gesto cotidiano...

Num Mundo Muito Diferente do Nosso: A Jornada Fiscal do Primeiro Semestre Sob o Governo Lula


Num mundo muito diferente do nosso, uma jornada extraordinária começou no palco da política brasileira. O primeiro semestre do governo Lula, marcado por promessas e expectativas, terminou com um rombo de R$ 42,5 bilhões nas contas públicas. Uma reviravolta dramática em relação ao superávit de R$ 54,3 bilhões alcançado no mesmo período do ano anterior, sob a liderança de Jair Bolsonaro.

Em junho, a jornada tomou um rumo inesperado quando o déficit primário atingiu R$ 42,5 bilhões, o pior resultado para o mês desde 2021, durante a pandemia de covid-19. A Secretaria do Tesouro Nacional, a guardiã das finanças do país, revelou que o resultado negativo foi o resultado de uma redução real de 26,1% na receita líquida e um aumento real de 4,9% nas despesas totais, em comparação com junho de 2022.

O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, desvendou o mistério do superávit do ano anterior, explicando que foi quase R$ 100 bilhões superior ao deste semestre devido a receitas extraordinárias relacionadas à concessão da Eletrobras e ao pagamento de dividendos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

No entanto, na jornada sob o governo Lula, apesar de não haver queda estrutural na arrecadação, houve um aumento nos gastos. O aumento do valor pago às famílias cadastradas no programa Bolsa Família, o aumento das despesas com benefícios previdenciários e o aumento da estrutura do governo contribuíram para o déficit.

A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2023 prevê um déficit para este ano de R$ 228 bilhões, mas o Ministério da Fazenda espera terminar este ano com um rombo menor, próximo a R$ 100 bilhões.

Esta é a história da jornada fiscal do primeiro semestre sob o governo Lula. Uma história de promessas e realidades, de poder e política, e de como as decisões tomadas no palco da política podem ter um impacto profundo na economia de um país. A jornada continua, e o final ainda está para ser escrito.





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