Por que sempre elegemos quem nos alimenta, mesmo quando ele nos leva ao abate

Imagem
A frase “se os porcos pudessem votar, o homem com o balde de lavagem seria sempre eleito, não importa quantos porcos ele já tenha abatido no recinto ao lado” funciona como uma metáfora crua, porém eficaz, para compreender dinâmicas recorrentes da política. Ela expõe uma lógica central do poder: a capacidade de garantir a sobrevivência imediata costuma falar mais alto do que a memória da violência estrutural. Quem controla os meios básicos de subsistência frequentemente conquista também a lealdade, mesmo quando é responsável pelo sofrimento que ameaça esse mesmo grupo. Na ciência política, essa dinâmica é amplamente discutida a partir da ideia de dependência. Max Weber, ao analisar as formas de dominação, explicava que o poder se sustenta não apenas pela força, mas pela crença na legitimidade daquele que manda. O “homem do balde” não precisa esconder os abates; basta que seja visto como indispensável. A violência se torna um dado colateral, quase naturalizado, enquanto o gesto cotidiano...

O Poder Transformador do Ensino Técnico: Desvendando um Tesouro de Oportunidades



Era uma vez um país chamado Brasil, que carregava consigo um tesouro escondido. Esse tesouro não era composto de ouro ou joias reluzentes, mas sim de oportunidades e desenvolvimento. Esse tesouro era o ensino técnico, uma vertente do conhecimento capaz de multiplicar vagas em escolas profissionalizantes e elevar o Produto Interno Bruto (PIB) do país.

A busca por esse tesouro começou quando o instituto Itaú Educação e Trabalho realizou um estudo minucioso. Eles queriam entender o impacto de um investimento público maior e mais consistente no ensino médio técnico. E o que descobriram foi surpreendente.

Ao dobrar o número de vagas nas escolas profissionalizantes, que atualmente era de 800 mil, o PIB brasileiro poderia aumentar em 1,34%. Mas se o número de vagas fosse triplicado, o ganho seria ainda maior, de 2,32%. Esses cálculos revelaram a extraordinária oportunidade que o Brasil vinha perdendo ao longo dos anos. Era como se o tesouro estivesse ali, ao alcance das mãos, mas ninguém ousasse buscá-lo.

O estudo intitulado "Potenciais Efeitos Macroeconômicos com Expansão da Oferta Pública de Ensino Médio Técnico no Brasil" deixou claro o quão vantajoso seria inserir a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) na estratégia de desenvolvimento do país. Era hora de tratar o ensino médio técnico como uma política pública de Estado, uma busca constante pela qualidade e pela atualização dos recursos necessários.

Infelizmente, o Brasil fechava os olhos para a expansão dessa vertente do ensino médio, impondo fardos à sua população ativa. Aqueles que não tinham acesso ao ensino técnico enfrentavam menor empregabilidade e salários mais baixos. O estudo revelou que um diploma técnico conferia ao trabalhador uma vantagem de 5,5 pontos percentuais na disputa por empregos em comparação com aqueles que cursaram o ensino médio convencional. A diferença salarial chegava a 12% e poderia aumentar para 50% se houvesse uma correlação entre o trabalho pretendido e a formação escolar.

Os dados também mostraram que o ensino técnico fornecia algum grau de proteção contra o desemprego. A taxa de desocupação era três pontos percentuais menor para os formados em escolas técnicas, tanto entre os jovens trabalhadores de 15 a 17 anos quanto entre os adultos de 24 a 65 anos. Essa proteção era explicada pela renda do trabalho por hora, que era maior entre esses profissionais.

As simulações realizadas pelo estudo apontavam para outros benefícios além do aumento da atividade econômica. A ampliação do ensino médio técnico também resultaria na redução da desigualdade social e no aumento do consumo no país. A oferta dobrada de vagas nas escolas técnicas impulsionaria o consumo em 0,22%, e se triplicada, o impacto seria de 0,38%. Isso traria bem-estar para uma parcela significativa da sociedade e, principalmente, abriria portas para oportunidades futuras dos jovens trabalhadores.

No entanto, esses benefícios contrastavam com a triste realidade do ensino médio técnico no Brasil. Apenas 7% dos estudantes do ensino médio brasileiro tinham formação técnica profissionalizante, enquanto na Europa essa proporção alcançava 44% e no México, 34%. Era uma vergonha constatar que o país não estava aproveitando o seu potencial e as oportunidades que o ensino técnico poderia proporcionar.

Claro, havia um custo adicional para dobrar ou triplicar as vagas do ensino técnico, estimado em 0,09% a 0,17% do PIB. Mas esse era um investimento que valia a pena pagar para ver o Brasil florescer, com uma economia mais forte e um povo mais capacitado.

E assim, essa história de conquista do ensino técnico continuava. O país ainda tinha tempo para despertar, para reconhecer o tesouro que estava diante de seus olhos. Os governos federal e estaduais poderiam agir a tempo, investindo de forma consistente na expansão do ensino médio técnico e colhendo os frutos desse investimento. O Brasil poderia se transformar em um lugar onde as oportunidades não seriam mais perdidas, mas sim aproveitadas ao máximo. E essa seria a verdadeira conquista.

Comentários