Por que sempre elegemos quem nos alimenta, mesmo quando ele nos leva ao abate

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A frase “se os porcos pudessem votar, o homem com o balde de lavagem seria sempre eleito, não importa quantos porcos ele já tenha abatido no recinto ao lado” funciona como uma metáfora crua, porém eficaz, para compreender dinâmicas recorrentes da política. Ela expõe uma lógica central do poder: a capacidade de garantir a sobrevivência imediata costuma falar mais alto do que a memória da violência estrutural. Quem controla os meios básicos de subsistência frequentemente conquista também a lealdade, mesmo quando é responsável pelo sofrimento que ameaça esse mesmo grupo. Na ciência política, essa dinâmica é amplamente discutida a partir da ideia de dependência. Max Weber, ao analisar as formas de dominação, explicava que o poder se sustenta não apenas pela força, mas pela crença na legitimidade daquele que manda. O “homem do balde” não precisa esconder os abates; basta que seja visto como indispensável. A violência se torna um dado colateral, quase naturalizado, enquanto o gesto cotidiano...

O Supremo em Xeque: A Busca pela Imparcialidade em Tempos de Polarização



Era uma vez, em um país chamado Brasil, um juiz estaria prestes a se tornar presidente da Corte Suprema. Este juiz, em um evento dos vencedores de um campeonato de futebol, pegou o microfone e se gabou de ter ajudado a derrotar o principal adversário. O adversário em questão? O bolsonarismo.

O juiz, que também havia sido presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proclamou com orgulho: "Nós derrotamos o bolsonarismo". A multidão aplaudiu, mas uma pergunta pairava no ar: "Nós quem?".

A declaração do juiz foi feita em um recinto dos vencedores, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que comanda a União Nacional dos Estudantes (UNE), parte da coligação vitoriosa. A manifestação de juízo, no entanto, levantou dúvidas sobre sua imparcialidade em futuros julgamentos envolvendo bolsonaristas.

Em meio à polêmica, o juiz emitiu uma nota, esclarecendo que se referia "ao extremismo golpista e violento". Mas as palavras, uma vez proferidas, não podem ser desfeitas, assim como uma flecha lançada por um arco.

Enquanto isso, o Judiciário vivia tempos estranhos. Juízes do Supremo davam entrevistas, emitiam opiniões, debatiam. O ministro Gilmar Mendes, por exemplo, bateu boca nas redes com o ex-deputado Deltan Dallagnol. Para muitos, era um cenário estranho e inédito.

A atual presidente do STF, a ministra Rosa Weber, era conhecida por sua discrição. No entanto, ela quebrou o silêncio e comparou o 8 de janeiro de 2023 ao 7 de dezembro de 1941, quando os japoneses atacaram Pearl Harbor. Como ela poderia presidir o julgamento dos réus de 8 de janeiro, uma vez que já havia pré-julgado o caso?

E assim, o país se perguntava: quem poderia julgar com impessoalidade? E agora, Supremo?

Artigo produzido a partir da análise abaixo:





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