Não dê ouvidos à serpente: a primeira aula sobre poder e manipulação

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A frase “não dê conversa com cobra” pode soar como um conselho simples, quase folclórico, mas carrega uma das lições mais antigas sobre poder e manipulação já registradas. Logo no início da Bíblia, a narrativa do Gênesis apresenta a serpente como símbolo da persuasão estratégica, alguém que não impõe pela força, mas conquista pela palavra. E é justamente aí que mora um dos fundamentos mais duradouros da política: o poder raramente começa com coerção, ele começa com convencimento. Ao observar essa passagem sob a lente da ciência política, é possível traçar paralelos com o pensamento de autores como Maquiavel, que já alertava que o governante eficaz precisa saber agir como “raposa e leão”. A serpente, nesse caso, encarna perfeitamente a raposa: astuta, paciente e habilidosa na arte de influenciar. Ela não obriga, não ameaça diretamente — ela planta uma ideia. E uma ideia, quando bem colocada, pode ser mais poderosa do que qualquer imposição. Essa lógica também aparece nas análises de Mic...

O Supremo em Xeque: A Busca pela Imparcialidade em Tempos de Polarização



Era uma vez, em um país chamado Brasil, um juiz estaria prestes a se tornar presidente da Corte Suprema. Este juiz, em um evento dos vencedores de um campeonato de futebol, pegou o microfone e se gabou de ter ajudado a derrotar o principal adversário. O adversário em questão? O bolsonarismo.

O juiz, que também havia sido presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proclamou com orgulho: "Nós derrotamos o bolsonarismo". A multidão aplaudiu, mas uma pergunta pairava no ar: "Nós quem?".

A declaração do juiz foi feita em um recinto dos vencedores, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que comanda a União Nacional dos Estudantes (UNE), parte da coligação vitoriosa. A manifestação de juízo, no entanto, levantou dúvidas sobre sua imparcialidade em futuros julgamentos envolvendo bolsonaristas.

Em meio à polêmica, o juiz emitiu uma nota, esclarecendo que se referia "ao extremismo golpista e violento". Mas as palavras, uma vez proferidas, não podem ser desfeitas, assim como uma flecha lançada por um arco.

Enquanto isso, o Judiciário vivia tempos estranhos. Juízes do Supremo davam entrevistas, emitiam opiniões, debatiam. O ministro Gilmar Mendes, por exemplo, bateu boca nas redes com o ex-deputado Deltan Dallagnol. Para muitos, era um cenário estranho e inédito.

A atual presidente do STF, a ministra Rosa Weber, era conhecida por sua discrição. No entanto, ela quebrou o silêncio e comparou o 8 de janeiro de 2023 ao 7 de dezembro de 1941, quando os japoneses atacaram Pearl Harbor. Como ela poderia presidir o julgamento dos réus de 8 de janeiro, uma vez que já havia pré-julgado o caso?

E assim, o país se perguntava: quem poderia julgar com impessoalidade? E agora, Supremo?

Artigo produzido a partir da análise abaixo:





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