Por que sempre elegemos quem nos alimenta, mesmo quando ele nos leva ao abate

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A frase “se os porcos pudessem votar, o homem com o balde de lavagem seria sempre eleito, não importa quantos porcos ele já tenha abatido no recinto ao lado” funciona como uma metáfora crua, porém eficaz, para compreender dinâmicas recorrentes da política. Ela expõe uma lógica central do poder: a capacidade de garantir a sobrevivência imediata costuma falar mais alto do que a memória da violência estrutural. Quem controla os meios básicos de subsistência frequentemente conquista também a lealdade, mesmo quando é responsável pelo sofrimento que ameaça esse mesmo grupo. Na ciência política, essa dinâmica é amplamente discutida a partir da ideia de dependência. Max Weber, ao analisar as formas de dominação, explicava que o poder se sustenta não apenas pela força, mas pela crença na legitimidade daquele que manda. O “homem do balde” não precisa esconder os abates; basta que seja visto como indispensável. A violência se torna um dado colateral, quase naturalizado, enquanto o gesto cotidiano...

A Busca do Governo por R$ 100 Bilhões para equilibrar as contas em 2024


O segundo semestre de 2023 será crucial para o esforço fiscal do governo. Especialistas em contas públicas estimam que o governo precisará levantar aproximadamente R$ 100 bilhões nos próximos meses para atingir o objetivo de zerar o déficit em 2024. Para isso, será necessária uma ampla cooperação dos parlamentares, que têm mostrado resistência a aumentos na carga tributária.

O desafio torna-se ainda mais complexo quando consideramos as novas despesas já contratadas. Mesmo que as medidas de arrecadação já planejadas para 2023 garantam R$ 90 bilhões em novas receitas e se mantenham nesse patamar em 2024, o governo ainda precisará apresentar um conjunto adicional de medidas de quase R$ 100 bilhões para zerar o déficit no próximo ano.

O novo arcabouço fiscal, que ainda aguarda aprovação no Congresso, estabelece que o governo precisa entregar um resultado primário (receitas menos despesas, sem contar os juros da dívida) zero já no próximo ano e, gradualmente, alcançar um superávit (saldo positivo) de 1% do PIB em 2026. Se o governo não alcançar o piso da meta, as despesas só poderão crescer 50% da variação de receita, em vez de 70%, como prevê o desenho original.

O governo tem apresentado uma série de medidas na tentativa de aumentar a arrecadação. No entanto, além das incertezas legislativas, o plano da equipe econômica pode ser frustrado por uma superestimação no valor arrecadatório de cada medida. Há também uma desconfiança em relação à expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024, que consta na proposta de Orçamento. A previsão é de uma alta de 2,3% para o próximo ano, bem acima da projeção do relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, que é de 1,3%.

Para compensar o aumento da isenção do Imposto de Renda para a faixa de dois salários-mínimos, o governo editou uma Medida Provisória para taxar os fundos offshores. Hoje, esses investimentos costumam ser feitos em paraísos fiscais, onde estão livres de impostos. A medida provisória (MP), porém, perde validade em 27 de agosto, e a Fazenda, que espera arrecadar R$ 4 bilhões no próximo ano com a ação, avalia enviar um novo texto para garantir esses recursos.

A lista de medidas também inclui a regulamentação das apostas esportivas e o plano de combate à sonegação no comércio eletrônico internacional, que começa a valer nesta terça-feira, com foco em varejistas asiáticas, como Shein, Shopee e Aliexpress. As duas medidas podem render, respectivamente, R$ 2 bilhões e R$ 8 bilhões aos cofres públicos em 2024, segundo estimativas da equipe econômica.

No entanto, a necessidade de arrecadação do governo é hoje bilionária, pois a União vem contratando diversas despesas desde a transição e agora tenta encontrar maneiras de compensá-las. O ex-secretário do Tesouro calcula, por exemplo, uma despesa extra de R$ 80,7 bilhões nos gastos previdenciários e assistenciais em 2024.

Se o governo, de fato, não alcançar a meta, os economistas dizem que será importante, ao menos, garantir uma trajetória de melhora do fiscal.


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