O poder invisível: quem realmente decide por você sem aparecer

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Existe uma ideia recorrente na política e na teoria do poder: o domínio mais eficaz não é aquele que grita, ameaça ou se impõe pela força, mas aquele que molda silenciosamente o campo das escolhas possíveis. Quando alguém acredita estar decidindo livremente, mas suas opções já foram previamente organizadas, o poder atingiu um nível muito mais sofisticado. Michel Foucault explorou esse tipo de dinâmica ao mostrar que o poder moderno não se limita a instituições repressivas, como o Estado ou a polícia, mas se infiltra em práticas cotidianas, discursos e normas sociais. Para ele, o poder não apenas proíbe — ele produz comportamentos, define o que é aceitável e até o que parece “natural”. Nesse sentido, o controle mais profundo não obriga; ele orienta. Pierre Bourdieu, por sua vez, chamou atenção para o que denominou “violência simbólica”. Trata-se de uma forma de dominação que ocorre quando as estruturas sociais são internalizadas pelos indivíduos, que passam a reproduzi-las sem questiona...

A Educação em Xeque: o contrassenso do bloqueio de verbas



Em uma decisão que tem gerado muitas críticas e cobranças, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva bloqueou a liberação de recursos públicos destinados à educação básica, alfabetização de crianças, transporte escolar e bolsas de estudo. A medida, que atinge principalmente a educação básica e as emendas de bancada, ocorre na mesma semana em que o governo lançou um programa de ensino em tempo integral.

O bloqueio no Ministério da Educação soma R$ 332 milhões e afeta várias ações conduzidas pela pasta. O valor atingiu principalmente a educação básica (R$ 201 milhões), incluindo todo o recurso programado para o desenvolvimento da alfabetização (R$ 131 milhões) nessa área. Também foram atingidas verbas para a compra de veículos do transporte escolar (R$ 1 milhão) e bolsas de pesquisa no ensino superior (R$ 50 milhões).

A decisão de bloquear esses recursos é um contrassenso, especialmente considerando as promessas do atual governo de priorizar a educação. A medida vai de encontro ao compromisso assumido de investir em uma área tão crucial para o desenvolvimento do país. A educação é a base para a formação de cidadãos conscientes e preparados para contribuir para a sociedade e a economia.

O bloqueio significa que o dinheiro só será liberado se o governo verificar que não há risco de descumprir o teto de gastos, uma regra fiscal em vigor. Na prática, as escolas ficam sem a garantia de receber todo o repasse esperado. Isso cria uma situação de incerteza e instabilidade para as instituições de ensino, que precisam desses recursos para manter suas operações e cumprir seus compromissos.

A decisão de bloquear recursos da educação é uma escolha política que revela as prioridades do governo. Como apontou Gil Castello Branco, secretário-geral da Associação Contas Abertas, o ideal seria que os cortes ocorressem em despesas como passagens aéreas, diárias, locação de imóveis, nas férias de 60 dias do judiciário, nos super salários e na quantidade de assessores dos parlamentares. No entanto, esses cortes ou não têm escala suficiente para os ajustes necessários ou são tidos como inviáveis politicamente.

A educação, mais uma vez, está sendo colocada em segundo plano. Para que as plataformas de alfabetização e educação em tempo integral sejam uma realidade, o orçamento precisa ser integral e recomposto. A situação atual é insustentável e revela a falta de prioridade dada à educação.

É preciso lembrar que a educação é um direito fundamental e um investimento no futuro do país. Cortar recursos dessa área é comprometer o desenvolvimento e o progresso da nação. É urgente que o governo reveja essa decisão e reafirme seu compromisso com a educação, garantindo os recursos necessários para que todas as crianças e jovens tenham acesso a uma educação de qualidade.

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