Por que sempre elegemos quem nos alimenta, mesmo quando ele nos leva ao abate

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A frase “se os porcos pudessem votar, o homem com o balde de lavagem seria sempre eleito, não importa quantos porcos ele já tenha abatido no recinto ao lado” funciona como uma metáfora crua, porém eficaz, para compreender dinâmicas recorrentes da política. Ela expõe uma lógica central do poder: a capacidade de garantir a sobrevivência imediata costuma falar mais alto do que a memória da violência estrutural. Quem controla os meios básicos de subsistência frequentemente conquista também a lealdade, mesmo quando é responsável pelo sofrimento que ameaça esse mesmo grupo. Na ciência política, essa dinâmica é amplamente discutida a partir da ideia de dependência. Max Weber, ao analisar as formas de dominação, explicava que o poder se sustenta não apenas pela força, mas pela crença na legitimidade daquele que manda. O “homem do balde” não precisa esconder os abates; basta que seja visto como indispensável. A violência se torna um dado colateral, quase naturalizado, enquanto o gesto cotidiano...

A Educação em Xeque: o contrassenso do bloqueio de verbas



Em uma decisão que tem gerado muitas críticas e cobranças, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva bloqueou a liberação de recursos públicos destinados à educação básica, alfabetização de crianças, transporte escolar e bolsas de estudo. A medida, que atinge principalmente a educação básica e as emendas de bancada, ocorre na mesma semana em que o governo lançou um programa de ensino em tempo integral.

O bloqueio no Ministério da Educação soma R$ 332 milhões e afeta várias ações conduzidas pela pasta. O valor atingiu principalmente a educação básica (R$ 201 milhões), incluindo todo o recurso programado para o desenvolvimento da alfabetização (R$ 131 milhões) nessa área. Também foram atingidas verbas para a compra de veículos do transporte escolar (R$ 1 milhão) e bolsas de pesquisa no ensino superior (R$ 50 milhões).

A decisão de bloquear esses recursos é um contrassenso, especialmente considerando as promessas do atual governo de priorizar a educação. A medida vai de encontro ao compromisso assumido de investir em uma área tão crucial para o desenvolvimento do país. A educação é a base para a formação de cidadãos conscientes e preparados para contribuir para a sociedade e a economia.

O bloqueio significa que o dinheiro só será liberado se o governo verificar que não há risco de descumprir o teto de gastos, uma regra fiscal em vigor. Na prática, as escolas ficam sem a garantia de receber todo o repasse esperado. Isso cria uma situação de incerteza e instabilidade para as instituições de ensino, que precisam desses recursos para manter suas operações e cumprir seus compromissos.

A decisão de bloquear recursos da educação é uma escolha política que revela as prioridades do governo. Como apontou Gil Castello Branco, secretário-geral da Associação Contas Abertas, o ideal seria que os cortes ocorressem em despesas como passagens aéreas, diárias, locação de imóveis, nas férias de 60 dias do judiciário, nos super salários e na quantidade de assessores dos parlamentares. No entanto, esses cortes ou não têm escala suficiente para os ajustes necessários ou são tidos como inviáveis politicamente.

A educação, mais uma vez, está sendo colocada em segundo plano. Para que as plataformas de alfabetização e educação em tempo integral sejam uma realidade, o orçamento precisa ser integral e recomposto. A situação atual é insustentável e revela a falta de prioridade dada à educação.

É preciso lembrar que a educação é um direito fundamental e um investimento no futuro do país. Cortar recursos dessa área é comprometer o desenvolvimento e o progresso da nação. É urgente que o governo reveja essa decisão e reafirme seu compromisso com a educação, garantindo os recursos necessários para que todas as crianças e jovens tenham acesso a uma educação de qualidade.

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