Por que sempre elegemos quem nos alimenta, mesmo quando ele nos leva ao abate

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A frase “se os porcos pudessem votar, o homem com o balde de lavagem seria sempre eleito, não importa quantos porcos ele já tenha abatido no recinto ao lado” funciona como uma metáfora crua, porém eficaz, para compreender dinâmicas recorrentes da política. Ela expõe uma lógica central do poder: a capacidade de garantir a sobrevivência imediata costuma falar mais alto do que a memória da violência estrutural. Quem controla os meios básicos de subsistência frequentemente conquista também a lealdade, mesmo quando é responsável pelo sofrimento que ameaça esse mesmo grupo. Na ciência política, essa dinâmica é amplamente discutida a partir da ideia de dependência. Max Weber, ao analisar as formas de dominação, explicava que o poder se sustenta não apenas pela força, mas pela crença na legitimidade daquele que manda. O “homem do balde” não precisa esconder os abates; basta que seja visto como indispensável. A violência se torna um dado colateral, quase naturalizado, enquanto o gesto cotidiano...

A Intrincada Relação Entre Verdade e Poder na Política

 


Em seu artigo "A verdade verdadeira da política é o poder", publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" em 18 de outubro de 2023, Leandro Karnal mergulha na complexidade da política e sua relação com a verdade.

Karnal inicia traçando paralelos sobre como a verdade é percebida em diferentes esferas da vida. Na ciência, é o resultado de investigações meticulosas; no amor, é influenciada pela subjetividade dos sentimentos. No entanto, é na política que a verdade assume seu caráter mais multifacetado.

Citando Charles-Maurice de Talleyrand, Karnal destaca a maleabilidade da verdade na esfera política. Talleyrand, que testemunhou diversas transformações políticas em sua vida, acreditava que na política, o que as pessoas consideram como verdade muitas vezes supera a realidade objetiva.

Isso levanta uma questão pertinente: os políticos estão sempre distorcendo a verdade? Karnal argumenta que não necessariamente. Eles recorrem a inverdades principalmente quando é vital para a manutenção de seu poder. A verdade, nesse contexto, é frequentemente usada mais como uma ferramenta estratégica do que como um valor intrínseco.

No entanto, é essencial destacar, conforme Karnal ressalta, que nem todos os políticos são motivados por interesses pessoais. Muitos têm um compromisso genuíno com a ética e o bem comum. A política, quando praticada com integridade, é uma força potente para o progresso e a justiça social. Desacreditar a política como um todo seria um desserviço à sua capacidade transformadora.

Concordo com a análise de Karnal. A política é, sem dúvida, um campo repleto de nuances. Embora a luta pelo poder possa obscurecer a verdade, a política também tem o potencial de ser uma força positiva na sociedade. Como observadores e participantes, devemos nos esforçar para discernir entre as duas e apoiar uma política que reflete nossos valores mais elevados.

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