Por que sempre elegemos quem nos alimenta, mesmo quando ele nos leva ao abate

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A frase “se os porcos pudessem votar, o homem com o balde de lavagem seria sempre eleito, não importa quantos porcos ele já tenha abatido no recinto ao lado” funciona como uma metáfora crua, porém eficaz, para compreender dinâmicas recorrentes da política. Ela expõe uma lógica central do poder: a capacidade de garantir a sobrevivência imediata costuma falar mais alto do que a memória da violência estrutural. Quem controla os meios básicos de subsistência frequentemente conquista também a lealdade, mesmo quando é responsável pelo sofrimento que ameaça esse mesmo grupo. Na ciência política, essa dinâmica é amplamente discutida a partir da ideia de dependência. Max Weber, ao analisar as formas de dominação, explicava que o poder se sustenta não apenas pela força, mas pela crença na legitimidade daquele que manda. O “homem do balde” não precisa esconder os abates; basta que seja visto como indispensável. A violência se torna um dado colateral, quase naturalizado, enquanto o gesto cotidiano...

A Severa seca no Norte: um alerta ignorado


A atual seca que assola o Norte e o Nordeste do Brasil é mais do que uma tragédia anunciada; é uma demonstração da falta de ação e planejamento por parte das autoridades federais e estaduais. O descaso com os alertas de entidades de referência em estudos climáticos e a inércia do governo diante dessa crise climática revelam um problema que não pode mais ser ignorado. Neste artigo, abordaremos a severidade da seca, suas causas e os impactos devastadores que afetam milhares de brasileiros.

A Seca Anunciada:

Esta é a seca mais grave nas regiões Norte e Nordeste desde 1980. O fenômeno climático conhecido como El Niño, impulsionado pelo aquecimento da superfície do Oceano Pacífico, é o principal culpado pela seca. Embora não possamos controlar o El Niño, podemos e devemos nos preparar para seus efeitos previsíveis. Os alertas sobre a intensidade do El Niño para este ano foram dados desde 2022, e em junho passado, instituições federais já haviam informado sobre as consequências esperadas.

O Cenário no Norte:

A situação no Norte do Brasil é desafiadora. Mais de 500 mil brasileiros estão sendo diretamente afetados, com 60 municípios declarando situação de emergência. Os rios, como o Solimões e o Negro, viram seus níveis diminuírem drasticamente, causando um impacto profundo nas comunidades que deles dependem para sobreviver. As áreas de várzea, que costumavam ser exploradas pela agricultura familiar, estão agora improdutivas, e a pesca tornou-se inviável. Além disso, o risco de incêndios florestais aumentou devido ao ar seco. O linhão de transmissão das usinas no Rio Madeira teve que ser desligado, e as termoelétricas estão sendo ativadas para evitar um colapso no fornecimento de energia na região.

A Resposta Tardia do Governo:

É preocupante observar que o governo federal só agiu na região quando a tragédia já estava consumada, com vítimas como os moradores da vila de Beruri, que sofreram com a falta de vazão no Rio Purus. O pacote de ajuda apresentado posteriormente, incluindo o envio de médicos e brigadistas e a dragagem do Rio Solimões, é importante, mas é o mínimo que se espera em uma situação de emergência como essa.

A Necessidade de Antecipação:

A remoção às pressas das famílias de agricultores pelo governo do Amazonas, se realmente for necessária, será um triste resultado da inação diante de uma seca que foi prevista com antecedência. É irônico que, enquanto enfrentamos essa crise internamente, o Brasil planeje apresentar propostas sobre o planejamento da transferência de populações afetadas pelo aquecimento global em fóruns internacionais. O Brasil precisa urgentemente investir em sua capacidade de antecipar tragédias naturais e climáticas e agir de forma preventiva para proteger seus cidadãos.

Os brasileiros têm o direito de esperar que seus governantes ajam com responsabilidade e antecipação diante de crises como a atual seca no Norte. A falta de planejamento prévio não pode mais ser tolerada, pois os impactos do aquecimento global e dos fenômenos climáticos extremos são uma realidade que não pode ser ignorada. É hora de o Brasil se preparar melhor e garantir a segurança e o bem-estar de sua população diante dessas adversidades climáticas.

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