STF Futebol Clube: quando o árbitro também quer fazer o gol

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Se o ministro Flávio Dino resolveu batizar a Corte de STF Futebol Clube , nada mais justo do que assumir de vez a tabela do campeonato. Afinal, se é para jogar bola institucional, que pelo menos a gente saiba qual é o regulamento — ou, melhor ainda, qual regulamento está valendo hoje. No STF Futebol Clube, o estádio é monumental, o gramado é a Constituição e a torcida é composta por advogados, parlamentares, jornalistas, militantes digitais e comentaristas de sofá com diploma em arbitragem constitucional. O problema é que, às vezes, parece que o juiz também veste uniforme, escala o time e decide o placar antes do apito inicial. Comecemos pelo impedimento. No futebol tradicional, não vale fazer gol estando à frente da linha da defesa. Já no campeonato institucional, descobrimos uma nova modalidade: o impedimento interpretativo. Se um inquérito nasce para investigar ataques à democracia, mas, no segundo tempo, passa a investigar qualquer coisa que cruze o campo, estamos diante de uma ...

Arte e poder: o papel do artista na arena política


Recentemente, a declaração do produtor musical Rick Bonadio sobre a necessidade de artistas não militantes no Brasil acendeu um debate fervoroso. Este tópico nos leva a uma reflexão profunda sobre o papel dos artistas no contexto do poder e da política. A arte sempre foi uma forma de expressão poderosa, capaz de influenciar a sociedade e, em muitos casos, a política. Mas qual deve ser o papel do artista nesse cenário?

Desde os tempos antigos, a arte tem servido como um espelho da sociedade, refletindo suas alegrias, tristezas, triunfos e lutas. Platão, em sua "República", já discutia o impacto significativo da arte na sociedade e na formação moral dos cidadãos. Por outro lado, Aristóteles via na arte uma forma de catarse e um meio de transmitir verdades universais. Essas perspectivas históricas nos lembram que a arte não é apenas entretenimento, mas também um veículo para o comentário social e político.

No século XX, artistas como Pablo Picasso com sua obra "Guernica" demonstraram como a arte pode ser uma poderosa ferramenta de protesto político. Ao mesmo tempo, governos totalitários frequentemente buscaram controlar ou censurar a arte, temendo seu poder de influenciar a opinião pública e incitar a mudança. Isso nos leva a uma questão crucial: até que ponto os artistas devem engajar-se em militância política?

Na contemporaneidade, a intersecção entre arte, política e poder é cada vez mais visível. Artistas como Banksy utilizam sua arte para fazer declarações políticas contundentes, enquanto outros, como Bob Dylan, utilizam a música para comentar sobre questões sociais e políticas. Esses exemplos demonstram que a arte pode ser um meio eficaz de provocar reflexão e até mesmo ação política.

Por outro lado, a visão de que artistas deveriam se abster de militância política, como sugerida por Bonadio, levanta questões sobre liberdade de expressão e o papel da arte na sociedade. Max Weber, em sua análise da política como vocação, sugeria que a política é um campo distinto, governado por suas próprias regras e lógicas. Seguindo essa linha, poderíamos argumentar que os artistas, ao se engajarem politicamente, cruzam uma linha tênue entre a expressão artística e a militância política.

Entretanto, ao examinar a história, percebemos que a arte e a política estão frequentemente entrelaçadas. A arte oferece uma plataforma única para a discussão de ideias, desafios sociais e políticos, atuando como uma voz para os marginalizados e um catalisador para a mudança social. Ao mesmo tempo, a arte pode ser uma forma de escapismo ou neutralidade, oferecendo um refúgio das complexidades do mundo político.

O papel do artista na política e no poder é multifacetado e não pode ser simplificado. Enquanto alguns artistas escolhem usar sua arte para fazer declarações políticas, outros preferem permanecer apolíticos. Essa escolha é, em si, uma declaração sobre o papel da arte na sociedade. Seja como instrumento de mudança política ou como um meio de reflexão e escape, a arte continua a ser uma força poderosa na modelagem do discurso público e na influência da sociedade.

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