STF Futebol Clube: quando o árbitro também quer fazer o gol

Imagem
Se o ministro Flávio Dino resolveu batizar a Corte de STF Futebol Clube , nada mais justo do que assumir de vez a tabela do campeonato. Afinal, se é para jogar bola institucional, que pelo menos a gente saiba qual é o regulamento — ou, melhor ainda, qual regulamento está valendo hoje. No STF Futebol Clube, o estádio é monumental, o gramado é a Constituição e a torcida é composta por advogados, parlamentares, jornalistas, militantes digitais e comentaristas de sofá com diploma em arbitragem constitucional. O problema é que, às vezes, parece que o juiz também veste uniforme, escala o time e decide o placar antes do apito inicial. Comecemos pelo impedimento. No futebol tradicional, não vale fazer gol estando à frente da linha da defesa. Já no campeonato institucional, descobrimos uma nova modalidade: o impedimento interpretativo. Se um inquérito nasce para investigar ataques à democracia, mas, no segundo tempo, passa a investigar qualquer coisa que cruze o campo, estamos diante de uma ...

Repensando a autoajuda: um olhar crítico sobre a literatura de transformação pessoal


O artigo "Por que só lerei livros de autoajuda em 2024", de Jacob Brogan, publicado no "O Estado de S. Paulo", revela uma introspecção valiosa sobre a busca pessoal por melhorias através da leitura de livros de autoajuda. Brogan expressa uma vontade genuína de se aprimorar e considera a autoajuda como um meio para alcançar isso. No entanto, é essencial explorar uma perspectiva alternativa que questiona a eficácia limitada da autoajuda e a importância da diversidade literária.

Primeiramente, a autoajuda, por sua natureza, tende a simplificar a complexidade do comportamento e experiências humanas. Embora ofereça conselhos práticos, muitas vezes ignora as nuances das circunstâncias individuais. A premissa de que mudanças de hábitos ou atitudes pessoais são panaceias para problemas mais amplos ignora fatores externos, como condições socioeconômicas, saúde mental e influências culturais, que desempenham papéis cruciais na vida das pessoas.

Além disso, a leitura exclusiva de livros de autoajuda pode levar a um isolamento intelectual. A literatura, em sua diversidade, oferece uma janela para outras culturas, histórias e perspectivas que podem enriquecer o entendimento do mundo e de nós mesmos. Romances, poesias e obras de não-ficção fornecem insights e experiências que a autoajuda muitas vezes não consegue oferecer.

Outro ponto a considerar é o potencial da autoajuda para promover uma espécie de narcisismo sutil. Ao focar excessivamente no autoaperfeiçoamento e na auto-suficiência, pode-se negligenciar a importância das relações interpessoais e da empatia. A autoajuda enfatiza a autossuficiência, mas a interdependência e o apoio mútuo são fundamentais para o crescimento e bem-estar pessoal.

Por fim, a literatura de autoajuda, embora possa ser útil, muitas vezes comercializa uma noção simplista de sucesso e felicidade. É vital reconhecer que não existem soluções rápidas para desafios complexos e que a leitura deve ser apenas uma parte de um espectro mais amplo de aprendizado e crescimento pessoal.

Portanto, enquanto a jornada de Brogan na exploração da autoajuda é admirável, é importante manter uma perspectiva equilibrada e diversificar as escolhas de leitura para abraçar uma gama mais ampla de conhecimentos e experiências humanas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A maldição do poder: quando os deuses riem do supremo

O peso político da mentira: quando a dívida com a verdade se transforma em capital de poder

A ética da convicção em Max Weber: entre a pureza dos princípios e a complexidade da política