Não dê ouvidos à serpente: a primeira aula sobre poder e manipulação

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A frase “não dê conversa com cobra” pode soar como um conselho simples, quase folclórico, mas carrega uma das lições mais antigas sobre poder e manipulação já registradas. Logo no início da Bíblia, a narrativa do Gênesis apresenta a serpente como símbolo da persuasão estratégica, alguém que não impõe pela força, mas conquista pela palavra. E é justamente aí que mora um dos fundamentos mais duradouros da política: o poder raramente começa com coerção, ele começa com convencimento. Ao observar essa passagem sob a lente da ciência política, é possível traçar paralelos com o pensamento de autores como Maquiavel, que já alertava que o governante eficaz precisa saber agir como “raposa e leão”. A serpente, nesse caso, encarna perfeitamente a raposa: astuta, paciente e habilidosa na arte de influenciar. Ela não obriga, não ameaça diretamente — ela planta uma ideia. E uma ideia, quando bem colocada, pode ser mais poderosa do que qualquer imposição. Essa lógica também aparece nas análises de Mic...

Os ecos silenciados da corrupção: o preço invisível pago por aposentados e trabalhadores


Excelente o artigo publicado pelo jornal "O Globo" de autoria de Gigi Reis, administradora, e aposentada da Caixa e ativista em defesa dos participantes dos fundos de pensão. A corrupção, em suas múltiplas facetas, atua como um fantasma que assombra os corredores da justiça e da ética, deixando um rastro de vítimas invisíveis em sua passagem. Entre essas vítimas, destacam-se os idosos aposentados e trabalhadores de estatais, que carregam o peso da injustiça com seus nomes e sobrenomes gravados nas folhas de perdas e danos causados por esquemas corruptos de grande escala. O desvio de recursos dos fundos de pensão, que representam a poupança de uma vida de dedicação e trabalho árduo, evidencia a cruel realidade da corrupção que afeta diretamente centenas de milhares de brasileiros.

A situação desses aposentados e trabalhadores é ainda mais agravada pelo fato de serem obrigados a arcar com os custos dos rombos financeiros por meio de descontos mensais exorbitantes, que podem chegar a 30% de suas receitas, além de enfrentarem a dupla penalização ao serem tributados sobre esses valores no Imposto de Renda. Essa injustiça se torna ainda mais insultante diante dos discursos negacionistas que tentam apagar a existência da corrupção, enquanto as esperanças de reparação se desvanecem com o desmantelamento de operações investigativas e a manipulação de acordos de leniência.

A Operação Greenfield, por exemplo, surgiu como um facho de esperança ao expor esquemas de corrupção e obter confissões significativas, prometendo alguma forma de compensação para os fundos prejudicados. Contudo, o progresso esperado se esvai diante de manobras jurídicas e políticas que visam a proteger os interesses de poucos em detrimento dos muitos, deixando os verdadeiros afetados por essas ações em um estado de abandono e desesperança.

A luta dos aposentados e trabalhadores por justiça e visibilidade se manifesta em atos de protesto e petições, buscando chamar a atenção para sua situação e exigir a devida reparação. No entanto, a resposta institucional muitas vezes se mostra insuficiente, com audiências e decisões que tendem a ignorar as necessidades e vozes dessas vítimas.

A ironia se aprofunda quando partidos que se dizem defensores dos trabalhadores atuam de maneira a favorecer os interesses de entidades corruptas, evidenciando uma desconexão preocupante entre a retórica política e as realidades enfrentadas pelos cidadãos mais vulneráveis. Esse cenário ressalta a necessidade imperativa de uma reforma estrutural que não apenas combata a corrupção de maneira eficaz, mas também assegure a proteção e a reparação adequadas para aqueles que foram injustamente prejudicados por tais práticas.

A corrupção, ao corroer os fundamentos da confiança e da integridade, não apenas mina a eficácia das instituições e do estado de direito, mas também impõe um fardo desproporcional sobre os ombros daqueles menos capazes de suportar suas consequências. A luta contra a corrupção deve, portanto, ser acompanhada de um esforço consciente para trazer à luz e amparar as vítimas silenciadas, garantindo que a justiça seja alcançada não apenas nos tribunais, mas também nas vidas daqueles que mais precisam dela.

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