STF Futebol Clube: quando o árbitro também quer fazer o gol

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Se o ministro Flávio Dino resolveu batizar a Corte de STF Futebol Clube , nada mais justo do que assumir de vez a tabela do campeonato. Afinal, se é para jogar bola institucional, que pelo menos a gente saiba qual é o regulamento — ou, melhor ainda, qual regulamento está valendo hoje. No STF Futebol Clube, o estádio é monumental, o gramado é a Constituição e a torcida é composta por advogados, parlamentares, jornalistas, militantes digitais e comentaristas de sofá com diploma em arbitragem constitucional. O problema é que, às vezes, parece que o juiz também veste uniforme, escala o time e decide o placar antes do apito inicial. Comecemos pelo impedimento. No futebol tradicional, não vale fazer gol estando à frente da linha da defesa. Já no campeonato institucional, descobrimos uma nova modalidade: o impedimento interpretativo. Se um inquérito nasce para investigar ataques à democracia, mas, no segundo tempo, passa a investigar qualquer coisa que cruze o campo, estamos diante de uma ...

A mídia como jogador político: o quarto poder em ação


A mídia sempre foi um ator central no jogo político, sendo muitas vezes chamada de "quarto poder" por sua capacidade de moldar narrativas, influenciar a opinião pública e pressionar governos. Desde os panfletos revolucionários do século XVIII até as redes sociais do século XXI, a informação – e quem a controla – tem sido um instrumento estratégico nas disputas pelo poder.

Para pensadores como Michel Foucault, o poder está diretamente ligado ao controle do discurso e da informação. Isso significa que a mídia não apenas reflete a realidade, mas a constrói. A maneira como um escândalo político é enquadrado, o tempo dedicado a determinados temas e a escolha de quais vozes são amplificadas podem mudar completamente a percepção pública sobre líderes e políticas. Essa construção narrativa tem efeitos concretos nas eleições, na governabilidade e até mesmo na estabilidade de regimes políticos.

Nos sistemas democráticos, a mídia pode atuar como fiscalizadora do poder, denunciando abusos e promovendo a transparência. O caso do escândalo Watergate, revelado pelo The Washington Post na década de 1970, exemplifica como o jornalismo investigativo pode derrubar um presidente. Já na era digital, vazamentos como os divulgados pelo WikiLeaks ou pelo The Intercept expuseram bastidores de governos e corporações, muitas vezes provocando crises políticas.

Entretanto, a mídia também pode ser usada como ferramenta de manipulação. No século XX, regimes autoritários compreenderam rapidamente o poder dos meios de comunicação. Adolf Hitler usou o rádio e o cinema para propagar a ideologia nazista, enquanto Joseph Stalin censurava qualquer narrativa contrária ao regime soviético. Hoje, a manipulação não se dá apenas pela censura direta, mas também pela inundação de informações – um fenômeno descrito por Hannah Arendt ao analisar regimes totalitários, onde a desinformação e a banalização da verdade enfraquecem a capacidade de julgamento do público.

As redes sociais trouxeram um novo paradigma, descentralizando a informação, mas também ampliando a propagação de notícias falsas e campanhas de desinformação. O uso de algoritmos para direcionar conteúdos personalizados cria bolhas informativas, onde os indivíduos são expostos apenas a visões que reforçam suas crenças pré-existentes. Isso pode enfraquecer o debate público e favorecer discursos populistas, como apontado por Zygmunt Bauman ao discutir a fragilidade da democracia na era digital.

A relação entre mídia e poder, portanto, é ambígua: pode fortalecer a democracia ao fiscalizar governos, mas também pode ser instrumentalizada para manipular a opinião pública. No fim, quem controla a mídia – seja um governo, uma corporação ou um conjunto de influenciadores digitais – tem uma vantagem significativa no jogo político.

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