STF Futebol Clube: quando o árbitro também quer fazer o gol

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Se o ministro Flávio Dino resolveu batizar a Corte de STF Futebol Clube , nada mais justo do que assumir de vez a tabela do campeonato. Afinal, se é para jogar bola institucional, que pelo menos a gente saiba qual é o regulamento — ou, melhor ainda, qual regulamento está valendo hoje. No STF Futebol Clube, o estádio é monumental, o gramado é a Constituição e a torcida é composta por advogados, parlamentares, jornalistas, militantes digitais e comentaristas de sofá com diploma em arbitragem constitucional. O problema é que, às vezes, parece que o juiz também veste uniforme, escala o time e decide o placar antes do apito inicial. Comecemos pelo impedimento. No futebol tradicional, não vale fazer gol estando à frente da linha da defesa. Já no campeonato institucional, descobrimos uma nova modalidade: o impedimento interpretativo. Se um inquérito nasce para investigar ataques à democracia, mas, no segundo tempo, passa a investigar qualquer coisa que cruze o campo, estamos diante de uma ...

É um estranho desejo, desejar o poder e perder a liberdade



No coração da política pulsa um paradoxo inquietante: muitos desejam o poder como se nele estivesse a suprema liberdade, quando, na verdade, o poder — especialmente o poder institucionalizado — frequentemente exige a renúncia à autonomia pessoal, à espontaneidade e, em certos casos, à própria verdade.

A frase de Francis Bacon desnuda uma contradição essencial da natureza humana. Por que ansiamos por dominar, comandar, decidir, se isso nos amarra em compromissos, obrigações, aparências, vigilância e julgamentos constantes? O político que ascende ao topo da hierarquia estatal ou partidária logo descobre que não é mais senhor de sua agenda, de suas palavras, nem de seus silêncios. Cada gesto é interpretado, cada decisão cobrada, cada recuo visto como fraqueza. A liberdade que possuía enquanto cidadão comum é substituída por uma vigilância pública que lhe prende os movimentos.

O desejo pelo poder muitas vezes nasce de um impulso legítimo: transformar realidades, proteger os vulneráveis, promover a justiça. Mas, ao longo do caminho, esse impulso pode ser corroído pela necessidade de manter a posição conquistada. A busca por aprovação, a lógica da conveniência e o medo de perder a autoridade vão lentamente sufocando o idealismo original. O governante que ontem falava como profeta, hoje silencia como prisioneiro de seus próprios aliados.

O poder verdadeiro, quando maduro, não reside na imposição sobre os outros, mas na capacidade de influenciar com sabedoria e manter-se íntegro diante das tentações da máquina política. No entanto, este tipo de poder exige uma liberdade interior muito mais rara do que a maioria imagina. A liberdade de não ceder à vaidade, de não se curvar aos conchavos, de dizer “não” quando todos esperam o “sim”.

Nesse sentido, o verdadeiro estadista é aquele que aprende a exercer o poder sem ser escravo dele. Que compreende que o trono pode ser, ao mesmo tempo, um altar e uma prisão. Que sabe que há mais liberdade em abdicar conscientemente do poder do que em conquistá-lo a qualquer custo.

Política, então, é esse campo onde a liberdade e o poder travam uma batalha silenciosa. O desejo de poder pode transformar-se em um desejo de controle absoluto — e, nesse instante, morre a liberdade. Morre a autenticidade. Resta apenas a máscara do cargo, a ilusão de comando, a gaiola dourada da autoridade.

Bacon nos alerta: há um preço no jogo do poder. E nem sempre quem o conquista é, de fato, o mais livre. Talvez o maior desafio político de nosso tempo seja este: resgatar líderes que, ao desejarem o poder, não se esqueçam de preservar aquilo que o torna legítimo — a liberdade de consciência, a coerência moral, a fidelidade ao bem comum.

Porque perder a liberdade para ter poder... é, de fato, um desejo estranho. E perigosamente humano.


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